Infância e formação
Mary Wollstonecraft Godwin nasceu em 1797, em Londres, filha da filósofa feminista Mary Wollstonecraft e do pensador liberal William Godwin. Cresceu cercada por livros, ideias progressistas e intelectuais. A morte precoce de sua mãe marcou-a profundamente e a fez buscar na escrita uma forma de compreender a vida, a morte e o poder da criação. Desde jovem, demonstrou imaginação e interesse pelas ciências, um traço incomum para as mulheres de sua época.
Desenvolvimento da carreira / ideias
Em 1814, aos 16 anos, fugiu com o poeta Percy Bysshe Shelley para o continente europeu, iniciando uma vida de amor, viagens e perdas. Durante uma estadia em Genebra, em 1816 — o chamado “Ano sem Verão” —, Mary participou de uma competição literária com Lord Byron e Percy Shelley para escrever uma história de terror. Nasceu então Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818), a história de um cientista que cria vida e se torna vítima de sua própria ambição. O livro misturava ciência, filosofia e emoção, inaugurando o gênero da ficção científica e questionando os limites da criação humana.
Contexto histórico e desafios
Mary Shelley viveu em uma época em que mulheres escritoras eram subestimadas. Sua obra foi inicialmente publicada de forma anônima, levando muitos a acreditarem que o verdadeiro autor era seu marido. Enfrentou críticas, tragédias familiares e o exílio social por desafiar as convenções morais do século XIX. Apesar disso, persistiu como escritora, publicando romances, contos e ensaios que refletiam temas como identidade, poder e isolamento.
Últimos anos
Após a morte de Percy Shelley em 1822, Mary dedicou-se a preservar e editar sua obra, além de continuar escrevendo. Publicou romances como O Último Homem (1826), uma visão distópica do fim da humanidade, e biografias que mostravam sua erudição e sensibilidade. Viveu discretamente em Londres até sua morte, em 1851, aos 53 anos, vítima de um tumor cerebral.
Legado
Mary Shelley é hoje reconhecida como uma das mentes mais influentes da literatura moderna. Sua criação, Frankenstein, tornou-se símbolo da relação entre ciência e ética, criador e criatura, progresso e destruição. Mais do que uma escritora gótica, ela foi uma pensadora à frente do seu tempo — uma mulher que deu voz às angústias do conhecimento humano e à solidão da criação.
“Cuidado, pois eu sou destemido, e, portanto, poderoso.”
Referências
Livros:
Mary Shelley — Frankenstein ou o Prometeu Moderno — Amazon
Mary Shelley — O Último Homem — Amazon
Fiona Sampson — In Search of Mary Shelley — Amazon
Artigos:
“The Science of Life and Death in Mary Shelley’s Frankenstein” — The British Library — Link
“Mary Shelley and the Birth of Science Fiction” — Nature — Link
“Frankenstein and the Feminine Imagination” — JSTOR — Link
Wikipedia:
Mary Shelley — https://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Shelley
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